junho 2012 Archives

Áudios da #ATOA no evento terraterra, atividade autogestionada da Cúpula dos Povos (Casa de Rui Barbosa, 15 de junho de 2012)


A #ATOA convida para a preparação da Descida: TERRATERRA

terraTERRA.jpg

BRASIL VIVO - BRASIL MENOR

15 de junho de 2012
Fundação Casa Rui Barbosa e Universidade Nômade
Rua São Clemente, 134, próximo ao metrô Botafogo, Rio de Janeiro.

Atividade Augestionada / Cúpula dos Povos participam:

Rede Universidade Nômade (UN)
Núcleo de Antropologia Simétrica (NAnSi-MN)
Afundação Taba de Oswald de Andrade (#ATOA)
Linha Filosofia e Questão Ambiental (PUC-Rio)

O colóquio é organizado em duas sessões. A cada vez, haverá uma roda inicial com 6 intervenções curtas (de 10 mínutos) para que depois o debate se desenvolva de maneira assemblear.

9:00 Abertura - Giuseppe Cocco, Mauricio Siqueira, Emerson Mehry

9:30 - 13:00 Primeira Roda de Abertura

Alexandre Nodari - #ATOA
Flavia Cera - #ATOA
Marcos Matos - #ATOA
Eduardo Viveiros de Castro - #ATOA, NAnSi-MN
Déborah Danowski - #ATOA, PUC-Rio/Filosofia
Bruno Tarin - Universidade Nômade

14:00 - 17:00 Segunda Roda de Abertura

Peter Pál Pelbart - PUC-SP e Cadernos de Subjetividade
Mauricio Vasconcelos - USP
Bruno Cava - Universidade Nômade e "Quadrado dos Loucos"
Pedro Laureano - Universidade Nômade
Rodrigo Nunes - PUC-RS e Turbulence
Eduardo Baker - Universidade Nômade
Alexandre do Nascimento - Universidade Nômade e FAETEC

17:00 Espetáculo

Terror e Miséria na Cidade Maravilhosa - Episódio 1

"Uma Cruzada, Um Profeta, Um Convite à Revelação"
do Laboratório TupiNagô de Revista Científica & Retreta do Apocalipse

A "descida" agora é outra.
O Autor

Ha quatro seculos, a "descida" para a escravidão. Hoje, a "descida" para libertação. O Diluvio, foi o movimento mais serio que se fez no mundo. Deus apagou tudo, para começar de novo. Foi inteligente, pratico e natural. Mas teve uma fraqueza: deixou Noé.

O movimento antropophago - que é o mais serio depois do Diluvio - vem para comer Noé. NOÉ DEVE SER COMIDO.

Penso que não se deve confundir volta ao estado natural (o que se quer) com volta ao estado primitivo (o que não interessa). O que se quer é simplicidade e não um novo codigo de simplicidade. Naturalidade, não manuaes de bom tom. Contra a belleza canônica, a belleza natural - feia, bruta, agreste, bárbara, illógica. Instincto contra o verniz. O selvagem sem as missangas da cathechese. O selvagem comendo a cathechese.

Os PEROS que ainda existem entre nós hão de sorrir por seus dentes de ouro o sorriso civilisado de que, reagindo contra a cultura, estamos dentro da cultura. Que besteira. O que temos não é cultura européa: é experiencia della. Experiencia de quatro séculos. Dolorosa e páo. Com Direito Romano, canal de Veneza, julgamento synthetico a priori, Tobias, Nabuco e Ruy. O que fazemos é reagir contra a civilisação que inventou o catalogo, o exame de consciencia e o crime de defloramento. SOMOS JAPY-ASSU':

"Ce venerable vieillard Japi Ouassou fut merveilleusement attentif, comme touts les outres Indiens lá presens aux discours susdicts á quoi il replique ce qui s'ensuit. Je m'esionis extremement de vous voir et me manqueray á tout ce ie vous ay promis. Mais ie me estonne comme il se peut faire que vous autres PAY ne vouliez pas de femmes. Estes vous descendus du Ciel? Estes nays de Pere et Mere? Quay donc! n'estes pas mortels comme nous? D'ou vient que non seulement vouz ne prenez pas de femmes ainsi que les autres François que ont trafiqué avec nous depuis quelque quarante et tant d'années; mais ancore que vous les empechez maintenant de se servir de nos filles: ce que nous estimions a grand honeur et grandheur, pouvans en avoir des enfant"

(Claude d'Abbeville - "Histoire de la Mission des Péres Capucins en l'Isle de Maragnan et terres circonvoicines")

Contra o servilismo colonial, o tacape inheiguára, "gente de grande resolução e valor e totalmente impaciente de sujeição" (Vieira), o heroísmo sem roseta de Commendador dos carahybas, "que se oppuzeram a que Diogo de Lepe desembarcasse, investindo contra as caravelas e reduzindo o numero de seus tripulantes" (Santa Rosa - "História do Rio Amazonas").

Ninguem se illuda. A paz do homem americano com a civilisação européa é paz nheengahiba. Está no Lisbôa: "aquella apparatosa paz dos nheengahibas não passava de uma verdadeira impostura, continuando os bárbaros no seu antigo theor de vida selvagem, dados á antropophagia como dantes, e baldos inteiramente da luz do evangelho".

Como se vê, facílimo ser antropophago. Basta eliminar a impostura.

Foram estas as consequencias dos versos ruimzizinhos que Anchieta escreveu na areia de Itanhaen: Ordenações do Reino, grammatica e ceia de DaVinci na sala de jantar. E não houve ainda quem comesse Anchieta!

Portugal vestiu o selvagem. Cumpre despi-lo. Para que elle tome um banho daquella "innocencia contente" que perdeu e que o movimento antropophago agora lhe restitue. O homem, (falo o homem europeu, cruz credo!) andava buscando o homem fora do homem. E de lanterna na mão: philosophia.

Nós queremos o homem sem a duvida, sem siquer a presumpção da existencia da duvida: nú, natural, antropophago.

Quatro seculos de carne de vacca! Que horror!

OSWALDO COSTA (1928)

desmandamentos

  • Ninguém tem o direito de obedecer
  • Só me interessa o que não é meu
  • A vida é roubo
  • Visto que o ser é o ter, segue-se que toda coisa deve ser ávida.
  • Pelo ócio e contra o neg-ócio
  • Creio na insurreição da carne
  • Sexo e estômago são as partes mais iluminadas pela consciência do homem, o consciente antropofágico
  • O que faz do comunismo, como de qualquer movimento coletivo, uma coisa importante é ainda e sempre a aventura pessoal
  • A verdadeira mãe (solteira) da invenção é a preguiça. A necessidade está interessada só nos direitos de propriedade intelectual.
  • É tarefa do futuro ser perigoso
  • Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas
  • Nosso corpo é apenas uma estrutura social de muitas almas
  • A incorreção é uma eminente qualidade
  • O que mais me admira é que as populações que vivem no frio e na lama não queimam os vossos palácios
  • Continuo acreditando num retorno ao primitivismo. Sem a intuição estaremos perdidos.
  • O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo.
  • O período matriarcal é a poesia da história.

Totens

  • Oswald de Andrade
  • Alfred North Whitehead
  • Gabriel Tarde
  • Pierre Clastres
  • Gilles Deleuze
  • Hélio Oiticica
  • Flávio de Carvalho
  • Montaigne

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